Integrado nas comemorações do Mês da Saúde Mental e com o apoio da Câmara Municipal de Cascais, o projeto foi oficialmente inaugurado no dia 15 de outubro, na Casa Sommer, dando início a um percurso artístico que se estendeu por vários pontos do concelho.
Quatro artistas convidados — Ana Baleia, Susana Cereja, Fernão Cruz e Vítor Serrano — desenvolveram instalações artísticas em colaboração com os artistas do Centro de Apoio Social do Pisão, num processo de criação conjunta que valorizou a participação, a individualidade e as capacidades criativas de cada participante.
As obras ocuparam diferentes espaços públicos: no Jardim Costa Pinto, em Cascais, Ana Baleia apresentou “Curvas e Contracurvas do Pisão”, uma instalação construída a partir de desperdício têxtil, utilizando roupas da instituição para criar duas peças que evocam as pessoas, as suas histórias e a paisagem do Pisão.
No Parque Marechal Carmona, Susana Cereja apresentou “O Que Não Vês”, uma obra desenvolvida em ponto de Arraiolos, que questiona a forma como olhamos para os outros e a importância de conhecer para além daquilo que é visível.
Na Estação de Inovação Social, na Parede, Fernão Cruz apresentou “Mesa, Mesa, Mesa”, uma escultura composta por três mesas, construída através de um processo colaborativo com os utentes, explorando conceitos como o equilíbrio, a fragilidade e a relação entre indivíduos.
Já no túnel de ligação entre o Parque Palmela e o Paredão de Cascais, Vítor Serrano apresentou “Cá Dentro, do Lado de Lá”, um trabalho centrado na individualidade e na representação de cada participante, desenvolvido a partir de imagens captadas pelos próprios utentes com câmaras fotográfica
O projeto integrou ainda duas obras de Ana Mesquita, apresentadas na Galeria do Edifício do Relógio, sob o tema “Não Descartáveis, Nada Nem Ninguém se Descarta”. Neste espaço foi também apresentado um documentário que regista o trabalho desenvolvido pela artista com diferentes instituições e comunidades, valorizando a criatividade e a participação de pessoas de diferentes idades e condições.
A componente audiovisual esteve igualmente presente através de uma parceria com o Museu da Música Portuguesa – Casa Verdades de Faria. A curta-metragem “Paisagens Humanas, Movimentos Sonoros”, realizada por Beatriz N. e produzida por Beatriz Silva, documentou as sessões de música desenvolvidas por Ana Rita Silva Dias nas unidades de internamento do Centro de Apoio Social do Pisão, revelando o papel da música e dos sons no quotidiano dos participantes. O trabalho foi apresentado no Mercado da Vila e integrou também a programação da inauguração.
Mais do que um conjunto de exposições, a iniciativa procurou criar oportunidades de participação cultural e artística, dando espaço à expressão individual e coletiva e promovendo o encontro entre os utentes, os artistas e a comunidade.
A Misericórdia de Cascais agradece à Câmara Municipal de Cascais o apoio à concretização deste projeto, bem como a todos os artistas envolvidos, pela disponibilidade, dedicação e partilha ao longo deste percurso criativo.